quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Luftslottet som sprängdes



aqui e aqui fiz SMR à primeira e segunda adaptações cinemáticas ao primeiro e segundo livros da saga Millenium, respectivamente. Se repararem bem em 2009 gostei muito do filme, em 2010 não e em 2011 ainda menos. Numa trilogia em que nos livros a qualidade se mantém, o segundo e terceiro filmes estragam o bom trabalho feito no primeiro.

Um bom advogado de defesa diria logo "têm de ver as coisas no seu contexto: enquanto que no primeiro e segundo filmes se adaptam livros com bastante acção neste terceiro a história anda à roda de uma pessoa acamada no hospital, em conversas entre idosos e nos bancos do Tribunal". Seria um bom argumento? Sem dúvida, e eu enquanto advogado apelidaria a opinião desse fictício colega como sendo "mui douta", no entanto o argumento acaba por não colher, na medida em que o problema deste filme não é a falta de acção, é o tentar enfiar tudo em 100 cenas de 30 segundos, em vez de apostar em 30 cenas de 100 segundos.

Não sei se seria caso para seguir a nova moda de transformar o último livro de uma saga em dois filmes, mas este problema que já tinha notado nos outros dois filmes (os livros estão pejados de informação e compreendo que seja difícil passar tudo para a tela) aqui então chega aos limites do desesperante, pois a sucessão de cenas e mais cenas faz com que não se tenha ligação com nenhum personagem (nem mesmo com a Lisbeth Salander, único ponto que se salva deste terceiro filme - parabéns Noomi Rapace), não se explicam as razões para nada, se ignoram totalmente personagens que não são assim tão secundários e se altera o procedimento criminal sueco de forma a permitir despachar a coisa o mais depressa possível. O ritmo do livro (que, na minha opinião, é o seu ponto mais forte) aqui é totalmente inexistente.

É certo que, como costumo dizer, não seria capaz de fazer melhor, mas é por causa desta tristeza de adaptação (leitores que leram o livro: vejam o que fizeram ao Niedermann e depois mandem-me um mail) que acabei de ver o filme com um sorriso na cara...há uma luz ao fundo do túnel.

A boa notícia é que daqui a poucos dias hei de ver o primeiro livro adaptado pelo David Fincher e cheira-me que neste caso a trilogia-remake americana vai acabar por ser melhor que esta.

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