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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Berlin Today Award 2012: Five Ways to Kill a Man

Five Ways to Kill a Man:



Inserido na iniciativa Berlinale Talent Campus o Berlin Today Award serviu como competição de curtas metragens entre 2005 e 2012. Os candidatos eram emparelhados com produtoras alemãs, era-lhes dado um tema e um limite de 10 minutos, e os melhores cinco eram apresentados ao público durante a Berlinale. Este o tema foi "every step you take" e esta foi uma das curtas finalistas.

Sam é um jovem adulto, nos seus 20 e muitos anos. No caso em concreto aparenta ser um expatriado anglófilo em Berlim mas na verdade isso não conta muito, o que conta para Five Ways to Kill a Man são os pequenos gestos do dia a dia.

Nesta curta metragem o realizador Christopher Bisset lança uma pergunta: como seria viver com as consequências dos nossos pequenos luxos ocidentais? Ao longo do dia em que a acção decorre Sam sabe que ao água aberta enquanto lava os dentes o aquário onde guarda os peixes fica mais vazio, que terá que entreter as crianças asiáticas que lhe fizeram os ténis bem como a mulher brasileira que trabalhou para ter o seu café, que terá de levar consigo animais mortos em marés negras e um balão com a poluição do seu automóvel e, last but not the least, visualizar o facto do atum que come ter influência na vida dos golfinhos.

No final do seu dia Sam deita todas essas externalidades no camião do lixo mas Christopher Bisset consegue deixar-nos a pensar no assunto através desta abordagem inventiva e bastante bem humorada. Five Ways to Kill a Man é um excelente exemplo de como se pode ser sério e leve ao mesmo tempo.

Um filme muito bem feito, terra-a-terra, e com um conteúdo interessante é mesmo a minha onda, pelo que não é de estranhar que esta tenha sido a minha curta favorita da Berlinale 2012.

sábado, 10 de outubro de 2009

District 9

District 9:



Depois de fazer a review da curta-metragem que deu origem a este filme (Alive in Joburg) não seria um bom blogger/bloguista/blogueiro/blocócó se não fizesse a análise da longa. Por vocês, leitores, TUDO.

Para quem não sabe a história eu resumo em 3 palavras: apartheid de extraterrestres. No dia seguinte ao do meu nascimento, aparece uma nave espacial gigante por cima de Joanesburgo e por lá fica, por razões que não nos são explicadas - na verdade, porque ninguém sabe - e ao fim de uns tempos lá os bons dos humanos conseguem entrar na nave, descobrem uns extraterrestres em muito más condições e resolvem aplicar-lhes um sistema que tão bem funcionou no passado, o apartheid. (E aqui devo activar um novo gadget deste blog: o alerta irónico)

Claro que depois as coisas acabam por correr mal e eventualmente poderão acabar bem. O que é fixe, e é mesmo, é que não se sabe se acabam bem ou não. E não, não adormeci nem desmaiei, vi o filme até ao fim.

Pronto, deixemo-nos de resumos que estou com sono e quero ir dormir. Este filme tem duas coisas muito fixes: o estilo como é realizado e a forma como nos apresenta os extraterrestres.

A primeira não é totalmente original: tal como dizia na outra SMR já tínhamos visto esta onda em filmes como o Cloverfield (e com isto é a segunda referência que faço ao filme neste blog, sem nunca o ter analisado, um record!). A ideia que tentam passar é que estamos a ver um filme sobre o que se terá passado com Wikus van de Merwe, um senhor muito simpático que tem um nome mais complicado que o meu. Claro que a dada altura percebemos que não é um documentário (e se alguém achar que isto é um spoiler leva um tautau à maneira) mas o feeling mantém-se e, no geral, está muito bem concebido.

O segundo já é mais original. Admito que não sou um grande fã de filmes com senhores de outras galáxias, mas não me recordo de muitos filmes em que os extraterrestres são as vítimas. Quase todos os demais E.T.'s vêm cá raptar/colocar sondas anais (essa bela actividade) ou destruir o planeta, mas estes são os segundos - a seguir ao próprio do E.T. - que só querem ir para casa. E o mais giro é que estes não usam telefones.

Os "prawns", como lhes chamam, não usam telefones mas sim computadores roubados, anões e armas (uma destas opções é falsa!!!), com a ajuda de algo que não posso dizer porque senão estragava-vos o filme todo. O que interessa é que há drama não humano, alguma comédia e acção a rodos. Não me marcará para o resto da vida, mas é um excelente filme pipoca, que entretém muito bem.






E já agora deixo a dica ao Nuno Markl: a tradução portuguesa para prawns não está errada, rapaz, chamam-lhes prawns não por causa dos camarões, mas sim por causa deste gafanhoto, que se chama Parktown Prawn e é endémico da zona de Joanesburgo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

The Boat That Rocked + Eurotrip + Two Lovers + Alive in Joburg

The Boat That Rocked:



Um filme sobre as rádios pirata que, durante os "loucos anos sixtes" (como diria o saudoso Mário Graça) parece, à partida, um bom ponto de partida: não houve altura mais hedonística que essa década...tirando, talvez, a seguinte...e dentro dos seus protagonistas não haverá muitos outros mais interessantes que aqueles que decidiram deixar de seguir as normas até então vigentes e viver pelos seus próprios padrões.
Foi isso que alguns dos dj's em que este filme se inspira fizeram: uma vez que era proibido passar música rock nas rádios inglesas (alguém me explica porquê? o filme devia ter abordado isso mas não o fez) muitos decidiram emitir em mar alto, usando rádios pirata como meio para fazer as suas músicas preferidas serem ouvidas por "metade da população do Reino Unido".
Com tão grande premissa e com um excelente grupo de actores (nomeadamente o Phillip Seymour Hoffman e o Rhys Darby) estava com algumas expectativas e se calhar foi isso que lixou tudo: não as consegui atingir, quanto mais exceder.
Tudo no filme é mediano, nada é terrivelmente mau e não posso dizer que não passei um bom bocado enquanto o vi, mas nem um minuto depois de sair da sala já o tinha esquecido, e desde então só pensei nele agora, enquanto escrevo esta SMR. Mau sinal, portanto.

Eurotrip:


Este vi porque reparei que ia passar na TV e pareceu-me ter lido em algum lado que era uma espécie de sequela espiritual do Road Trip, um filme já antigo mas que na altura me agradou enquanto comédia parva.
Se é ou não não sei, mas isto (não consigo chamar-lhe um filme) não me agradou nem sequer como imagem para induzir o vómito. É que há muito muito tempo que não via tanto disparate junto: a história é batidíssima (e a única conexão com o Road Trip - um tipo americano envia um e-mail para uma rapariga alemã pensando que ela é um gajo, mas afinal é uma miúda), não faz qualquer sentido (não estou a ver putos de 18 anos como aqueles a ter disponibilidade económica para vir à Europa assim do nada) e todo o filme está repleto de erros básicos (exemplo: num separador sobre uma viagem aparece um mapa da Alemanha com cidades deslocadas e a floresta negra do lado errado do país), bem como dá para ver que nem sequer se deram ao trabalho de filmar nos locais verdadeiros (qualquer pessoa que já foi a Amesterdão, mas qualquer mesmo(!), consegue perceber que aqueles não são os canais da cidade, nem o red light district, nem nada).
Perdoem-me a expressão, mas este filme é um cagalhão de todo o tamanho e a meu ver só tem um propósito útil: a fita e os dvd's que ocupa podiam ser queimados e trazer algum conforto a quem tenha frio.


Two Lovers:



Destes quatro que, por puro acaso e capricho meu (sinto-me poderoso! muahahaha), são analisados em conjunto o Two Lovers foi sem dúvida o que mais gostei.
Não é uma história tremendamente original: um homem bipolar mostra ao longo do filme que também é bi...gamo.
O tal senhor, Leonard Kraditor (interpretado de forma sublime pelo Joaquin Phoenix, um actor muito underrated e que se realmente já não fizer mais filmes (teoricamente este foi o último que ele fez) vai fazer bastante falta), pelos vistos tinha um casamento marcado (agora é que reparei que o parêntesis anterior é enorme, repararam?) mas aquilo correu mal e tentou matar-se. Mas a tentativa também correu mal e sobrevive, e depois nada corre mal. O homem orienta-se e bem! Não uma, mas duas meçoilas bastante bem parecidas aparecem na vida dele...uma apaixona-se por ele, outra fa-lo apaixonar-se. Com qual das duas é que ficará no fim? Não vou dar a resposta, mas...
Mas digo-vos que apesar de não considerar este filme um futuro clássimo está bastante bem feito e posso recomendá-lo de entre os que temos actualmente em sala. É verdade que tem algumas partes um bocado inacreditáveis (quando ele começa a dar-se com a personagem da Gwyneth Paltrow pensei para mim mesmo "Serei só eu é que não começo amizades assim?") mas a excelente cinematografia e - sobretudo - o desempenho do Joaquin (meu amigo!) valem o dinheiro do bilhete.


Alive in Joburg:

(Olá...eu sou o espaço onde devia estar o poster do Alive in Joburg. Não há poster porque a produção do filme tinha um orçamento demasiado baixo. Temos pena de estragar o esquema do João, mas é a vida)

Uma curta do mesmo realizador de um dos filmes que vai aí bombar no final do Verão, District 9. Na verdade é a curta em que esse filme se baseou. Não é bem a minha onda (é tipo Cloverfield) mas devo admitir que para curta inicial está bastante bem feita. Esperarei para ver como é que o filme, produzido pelo Peter Jackson, vai ficar.
E já agora fica a informação: podem ver o filme todo aqui.