quinta-feira, 26 de março de 2009

Gran Torino

Gran Torino:



Imaginem um ex-combatente da Guerra da Coreia a viver no meio de um bairro de orientais. Imaginem-no a ficar viúvo, sozinho, no tal bairro de orientais. Agora adicionem-lhe o facto do tal senhor ser um dos homem naturalmente zangado. Claro que só podia dar em más relações!

É assim que o filme começa...Walt Kowalski (o derradeiro personagem interpretado pelo Clint Eastwood) é um dos homens mais azedos que já apareceram numa tela de cinema, mesmo com os filhos e com os netos ele não consegue estabelecer uma relação humana, não fala...quase que rosna. E se é assim com a família ainda mais o é com os vizinhos hmong (um povo originário do Laos/Vietname) os quais passa o tempo a insultar...

...até que o no seu ódio pelos vizinhos salva a vida a um deles. A partir daí a família (do vizinho - Thao) resolve agradecer-lhe através de oferendas e da disponibilização do rapaz para o ajudar trabalhando gratuitamente. A partir daí trata-se de uma história que poderia ser bastante banal: Walt passa do ódio para a simpatia (quando o começa a conhecer) e daí para uma relação masculina que o rapaz tanto precisa (já que vive apenas com a mãe, irmã e avó).

Felizmente o que poderia ser banal é muito bem tratado. A relação entre Walt e Thao, e entre Walt e a restante família hmong é desenvolvida em momentos de imensa cumplicidade, carinho e até humor: de sublinhar a aula sobre como falar com o barbeiro. Walt passa de besta a bestial e conseguimos ver nele uma humanidade que se pensava perdida.

Tirando a forma como ele começa a introduzir-se na família hmong - o que me pareceu bastante improvável - gostei muito do filme. Um especial destaque para os dois irmãos...actores amadores que passaram a prova de contracenar com o Clint Eastwood (talvez o maior mito do cinema americano actual) com toda a distinção.

E a realização...uma prova de como simples é bom. De como só precisamos de uma boa (e simples) história e uns bons (e simples) planos para se conseguir um bom (e não muito simples) filme.

sábado, 21 de março de 2009

Watchmen

Watchmen:


Depois do último filme do Batman parece que os filmes de super-heróis ficaram na moda. Pelo menos os filmes em que os ditos super-heróis têm grandes dramas pessoais. A idade dos super-pipocas (super-heróis em filmes pipoca...digam lá que não tenho jeito para baptizar novos estilos cinematográficos) já acabou.

O Watchmen não é um filme nessa categoria...há dramas pessoais, que os há, mas neste filme de super-heróis (quantas vezes mais irei escrever super-heróis neste post?) não há o quê? Super-heróis! Quanto muito existiria um, Dr. Manhattan, um senhor azul que em tempos foi cientista e que - depois de um, típico, problema numa experiência científica - fica fora do nosso universo material...torna-se uma espécie de espírito que consegue viajar no tempo e no espaço.

Todos os restantes Watchmen são - SPOILER SPOILER SPOILER - seres humanos normais que assumem aquelas identidades num programa de "vigilantes" promovido pelo Governo, uma espécie de polícia de elite. A grande diferença entre eles e os restantes humanos é o terem uma excelente capacidade para dar porrada em toda a gente e, para além disso, viajarem numa navezinha toda pipi. FIM DE SPOILERS

Não li a BD mas sei que é vista como a melhor graphic novel da história: é densa, complexa e muito bem escrita. O filme supostamente segue-a bastante à letra...é denso, complexo e muito (demasiado) longo. Parece-me que poderia ser bastante melhor, sinto que há ali bastante potencial mas a realidade fica um bocadinho abaixo das expectativas que tinha. Dizem que não é um filme de super-heróis mas sim um drama em que alguns personagens têm super-poderes, enquanto o via às vezes concordava, outras pensava mais numa telenovela de contornos sobrenaturais.

O autor da BD diz que jamais verá o filme. O realizador diz que se ele o visse ia ficar orgulhoso. Eu não li a BD e continuo sem vontade de a ler...acho que isso diz bastante sobre o filme, não?

segunda-feira, 9 de março de 2009

The Wrestler

The Wrestler:



Finalmente vi este filme. Andava há que tempos com pica para o ver, não só pela famosa reconsagração do Mickey Rourke mas também porque vi 2 dos 3 filmes anteriores do Darren Aronofsky e gostei imenso de ambos.

Este não é excepção! É bastante mais simples (a nível de realização) que os dois filmes anteriores, na verdade é praticamente filmado como se fosse um documentário em que seguimos a vida de alguém que em tempos foi uma estrela da luta livre mas que agora - mais velho, mais cansado, mais só - aprende que toda essa fama é fugaz.

Randy, "the Ram" Robinson é um homem vencido: a evolução da vida tratou-o mal. Está sozinho, ganha a vida num emprego que não lhe traz reconhecimento, mas ainda assim vemo-lo sorrir: sorri quando se sente amado pelos fãs de wrestling (e faz tudo para receber esse amor - até morrer?) e sorri quando se sente amado por Cassidy, uma stripper em situação semelhante à sua.

Foi essa humanidade que me atraiu no filme...os sorrisos quases escondidos, as lágrimas num momento de confissão, o dar tudo por tudo para que não sejamos esquecidos.

Sempre assumi que estar sozinho é um dos meus maiores medos, senti-me próximo de Randy, e quando isso acontece é sinal que o filme é bom.








E pronto, lá vou eu ter de falar na questão do Óscar de melhor actor: eu teria-o dado ao Mickey Rourke, porque me senti a ver um documentário, mas o Sean Penn também mereceu a segunda estatueta