sábado, 20 de fevereiro de 2010

Invictus + The Men Who Stare At Goats

Olá amiguinhos, aposto que já tinham saudades das minhas fantásticas SMR. Pois é, estive de férias mas agora já voltei e o que é que vos trouxe de prenda? Duas críticas fresquinhas, de filmes ainda vistos antes de ter ido embora. Desta vez são mais curtinhas por isso mesmo, já passou bastante tempo. Vamos a isso? Vamos!


Invictus:



Gosto do Clint Eastwood. Gosto do Morgan Freeman. Não gosto do Matt Damon. Gostei do filme que juntou os três? Não, nem por isso. Porquê? Porque me pareceu uma salganhada que não consegue aprofundar muito o que - aparentemente - queria aprofundar: a história do Nelson Mandela.

Ao que sei, a ideia era fazer uma versão cinematográfica da autobiografia daquele que é um dos ícones do mundo actual, mas como seria demasiado grande/impossível de filmar optou-se por pegar só neste pedaço, suposto exemplo das suas qualidades enquanto promotor do respeito e sã convivência na África do Sul. Mas, como diria o meu amigo Bruno Aleixo, saiu cócó. A história que era para ser do Mandela é-o muito pouco...de início até sim mas a dada altura pega na selecção de rugby e torna-se um banal filme de desporto em que os underdogs conseguem tudo a que se propõem, acabando por se tornar em heróis.

Isso até podia ser interessante (duvido, por ser algo tão repetido, mas ok), só que a maneira como o jogo é filmado é muito fraquinha...não é preciso ser um grande fã de rugby (eu sou mais ou menos, já acompanho há bastante tempo) para ver que o Clint não vibra lá muito com aquilo, tão pouco intensa é a forma como o filma.

Segue portanto um pedido em inglês, para ele perceber, coitadito: Clint, next time please keep filming smaller/more personal stories, this one was a missed shot.


The Men Who Stare At Goats:



O que dizer de um filme que se pode resumir da seguinte forma: "pelos vistos existiu um programa militar de guerra psicológica. E por guerra psicológica quero dizer poderes telepáticos e afins."

É isso mesmo! O protagonista deste filme, Ewan McGregor, é jornalista e resolve ir até ao Iraque cobrir a recente invasão norte-americana. Enquanto espera pelas devidas licenças encontra o George Clooney, que não estava lá a vender Nespressos mas sim a contribuir para o esforço de guerra americano com os seus poderes Jedi; poderes como atravessar paredes ou, o meu favorito, uma técnica de três toques que te mata...não se sabe é quando, pode ser uns anos depois, mas mata de certeza!

O conceito do filme é tão disparatado, e o estilo do realizador é tão parecido (roubado?) que a dada altura me pareceu que estava a ver um filme da família do Burn After Reading, dos Coen. Mas, infelizmente, este é pior...o filme é disparatado, divertido, mas a dada altura torna-se um bocado lento demais (quando começa a desenvolver demasiadas teorias sobre o assunto) e isso torna-o um bocado mais aborrecido. Mas não é nada que mate o filme, se estiverem numa de ver um grupo de gajos (não há uma única mulher que tenha uma fala on-screen!) a dizer a fazer disparates vejam-no. Se estão numa de ver uma reflexão profunda sobre a guerra do Iraque (ou sobre a guerra em geral) acho melhor verem outra coisa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

12 dias de descanso

O blog está de férias. Porquê? Por causa disto.




Lá para o final da próxima semana contem com a SMR ao Invictus e ao Men Who Stare At Goats.
Até lá, fieis leitores.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Whatever Works

Whatever Works:



A minha relação com os filmes que o Woody Allen lançou desde 2000 tem sido intermitente...Dos 10 que foram feitos para o cinema vi todos e gostei precisamente de 5 (dos quais o Match Point é o melhor, o único ao nível do Woody Allen do clássico Annie Hall) e os outros achei que estavam uns quantos furos abaixo.

Quando soube deste filme fiquei excitado. Gosto de Woody Allen mas o que me deixou mais em pulgas foi o saber que o protagonista ia ser o Larry David. Ora, o Larry David pode agora estar a ser mais reconhecido pelo Curb Your Enthusiasm mas o meu interesse por ele vem sobretudo pelo papel que teve na minha série favorita de todos os tempos: é que este senhor é o co-autor do Seinfeld, e só isso faz com que mereça a minha curiosidade permanente pelo seu trabalho.

Acontece que para além dos seus créditos passados, o Larecas revela-se uma excelente escolha. Costumo dizer que todos os filmes têm um papel que é o Woody Allen, mesmo que não seja ele a representa-lo. Neste caso não há qualquer dúvida que o Boris Yelnikoff é uma projecção da mentalidade do realizador/argumentista para a tela com uma diferença importante: o Boris de Larry David consegue ser arrogante e bruto a um ponto que não conseguiria chegar se fosse interpretado por outra pessoa.

E se o Boris prova ter sido um casting perfeito, o que dizer dos restantes personagens? Também tenho de dar os parabéns a quem fez o casting da Evan Rachel Wood enquanto "pacóvia" que decide vir viver para a grande cidade. Não sou grande fã da rapariga (tirando no Thirteen) mas aqui mostrou que sabe assumir bem um papel que, assim espero, é bem diferente do seu estado natural.

Já os pais dela, bem como os amigos do Boris, não parecem fazer um mau papel, mas não têm muito tempo para mostrar o seu valor. Podiam ter explorado um bocadinho mais a(s) sua(s) histórias, e já agora de uma forma diferente, porque assim não fiquei muito convencido.

Entretanto lembrei-me que não falei da história! Não é especialmente original, mas consegue fazer-nos rir e manter-nos interessados. A meu ver, a maior falha é mesmo o final ser demasiado feliz...a dada altura parece que não foi escrito pelo mesmo cínico (o Woody, entenda-se) que escreveu o resto do filme.

Está tudo dito. Gostei ou não do filme? O veredicto é vosso.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A bela e o paparazzo + Ainda há pastores?

A bela e o paparazzo:



(sim, é o poster mais manhoso de sempre, mas o filme não é mau)

Tal como a maioria do grupo cinematográfico português, tenho uma relação não muito calorosa com os filmes que por cá são feitos. Na verdade, posso dizer que só gosto realmente de três filmes portugueses: Non, ou a Vã Glória de Mandar, Os Mutantes e Alice. Para além destes houve alguns que não me desagradaram (Aquele Querido Mês de Agosto, por exemplo) e outros que me deixaram mesmo estarrecido com o desperdício de dinheiro (Quaresma ou Branca de Neve são exemplos paradigmáticos)

O maior problema que tenho com o cinema português é a excessiva sobranceria com que a grande maioria nos são apresentados: para o cineasta-tipo português o filme é uma realização de uma visão pessoal e o público, citando o João César Monteiro e usando o primeiro palavrão deste blog, "que se foda". Confesso nunca ter percebido essa visão; é certo que acima de tudo o filme é feito pelo realizador para o realizador (tal como este blog é feito acima de tudo para mim), mas o público não deixa de ser essencial...sobretudo num universo cinematográfica que (como tudo em Portugal) é baseado em subvenções estatais.

Como alguém em tempos dizia, se os produtores de filmes portugueses corressem o risco de perder dinheiro os filmes não teriam como público-alvo duas ou três pessoas. E, por muitas críticas que se possam fazer ao António-Pedro Vasconcelos, há que lhe dar o mérito de tentar criar filmes portugueses para os portugueses.

Este A bela e o paparazzo é um caso de sucesso, a meu ver. Não é um filme genial, diria até que se calhar não chegava ao Bom...fica ali entre o Suficiente mais e o bom pequeno, mas é um filme que pode interessar aos portugueses. Tem uma história básica, bastante telenovelesca até (propositado, tendo em conta que a protagonista é actriz de novelas?), mas nunca se torna demasiado meloso nem self-centered. Tem amor, algum humor (sim, vou ter de falar do Nuno Markl para dizer que se não fosse ele a fazer dele mesmo provavelmente a nota desceria para Suficiente menos) e umas quantas tentativas (frustradas) de nos ensinar uma lição.

Nem sempre é importante um filme ter uma lição. Às vezes basta entreter, e aqui temos um caso em que se sai entretido da sala de cinema.



Ainda há pastores?:



Influenciado pelos trabalhos que o meu irmão tem feito em Trás-os-Montes, e relembrado pelo meu amigo André, finalmente resolvi ceder à minha vontade de ver este documentário sobre a realidade dos poucos pastores que ainda restam no vale de Folgosinho, Serra da Estrela.

Este filme é diametralmente oposto do que analisei acima. Aqui é o Portugal real, o das aldeias que recebem electricidade pela primeira vez em 2005, das pessoas que passam 20 anos em solidão absoluta porque é isso que sabem fazer, de um jovem que tem a minha idade (27 anos) mas que tem uma vida tão diferente que poderíamos viver em séculos diferentes.

Se já alguma vez tiveram o prazer de falar comigo sobre literatura, provavelmente já vos disse que gosto muito de ler biografias porque são uma forma de viver experiências que não poderia ter vivido de outra forma. É precisamente este o motivo pelo qual também gosto muito de documentários...gosto de aprender como é estar noutra realidade que não a minha.

Ainda há pastores? é um filme que responde ao seu próprio título...Ainda há pastores, mas há cada vez menos e em breve deixarão de existir. Num Portugal globalizado, que deixou de ser seu há já bastante tempo, restam ainda uns quantos velhotes (e o tal jovem de 27 anos, e as duas únicas crianças do vale) que vivem como os meus avós - mas já não os meus pais - viveram. São museus humanos, vivendo/vestindo/falando/comendo de uma forma bem própria, longe da massificação de que todos somos vítimas.

Com o passar do tempo, a morte dos tais velhotes e a crescente insatisfação dos (poucos) jovens vai fazer com que estas tradições se percam para sempre. Este documentário é um registo importantíssimo por isso mesmo, um dia em que já não existam "pastores" poderemos olhar para aqui e ver o fim de uma era. O facto de o podermos ver num filme que tecnicamente é bastante bem sucedido é um bónus bastante positivo, mas o que aqui importa é mesmo a mensagem...não façamos com que estas vivências saiam da nossa memória colectiva.